DIVERSIDADE

De segunda (1º) a sexta-feira (5), o campus Darcy Ribeiro recebe pesquisadores, professores e ativistas em encontros para discutir educação escolar indígena no Brasil e situação dos povos originários na América Latina

Maloca sediará parte da programação do IV Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena e do Congresso Internacional de Povos Indígenas da América Latina. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

Em 2019, é celebrado o ano internacional das línguas indígenas, marco instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para salientar a necessidade de preservação e revitalização dessas riquezas culturais. Para contribuir nessa conscientização e reafirmar seu papel institucional de promoção e defesa da diversidade e dos saberes tradicionais, a Universidade de Brasília recebe, no início de julho, dois encontros com temáticas indígenas.

 

Educação para Existência e Vida Plena é tema do IV Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena(FNEEI), que ocorre na segunda (1º) e na terça-feira (2), no auditório da Associação de Docentes da UnB (ADUnB) e no Centro de Convivência Multicultural dos Povos Indígenas (Maloca). Na mesma semana, de quarta (3) a sexta-feira (5), o 3º Congresso Internacional de Povos Indígenas da América Latina(Cipial) reúne pesquisadores indígenas e indigenistas para apresentar suas investigações relacionadas a esses povos.

 

Congresso Internacional de Povos Indígenas da América Latina acontece no Brasil pela primeira vez. Arte: Divulgação

 

Sediado pela primeira vez no Brasil, o Cipial é um evento autônomo, de livre iniciativa de investigadores de diversos países. Trajetórias, narrativas e epistemologias plurais, desafios comuns é tema desta edição, que pretende dar visibilidade à produção científica das comunidades tradicionais em diferentes áreas do conhecimento, e reconhecer a emergência da intelectualidade indígena no continente.

 

Também são perspectivas do congresso fortalecer redes de pesquisas em nível internacional e promover diálogo entre os diversos campos do conhecimento sobre questões que interferem diretamente na realidade de povos indígenas em todo o mundo. Temas, como direito ao território, educação, saúde, acessibilidade e revitalização das línguas nativas perpassam e inspiram as discussões em simpósios temáticos, conferências e apresentações de trabalhos.

 

Coordenadora geral do Cipial na UnB, a professora Mônica Nogueira acredita que o evento contribuirá para ampliar o diálogo entre pesquisadores e povos indígenas, além de fortalecer a renovação do pensamento e ciência produzida na academia com o protagonismo indígena.

 

“O Cipial busca superar os limites disciplinares para pensar, de maneira complexa, a realidade dos povos indígenas e refletir sobre aspectos contemporâneos, numa escala latino-americana”, detalha a docente. “É um importante momento para reafirmar a disposição da UnB em se abrir à presença indígena e trabalhar pelo reconhecimento da diversidade”, acrescenta.

Gravuras de Jaider Esbell, artista, escritor e produtor cultural indígena da etnia Makuxi, compõem a identidade visual do 3º Cipial. Arte: Divulgação

 

A expectativa é que mais de duas mil pessoas de oito países e 30 etnias acompanhem a programação, distribuída em diferentes espaços do campus Darcy Ribeiro. Personalidades atuantes nas causas indígenas no Brasil e na América Latina também estarão presentes e contribuirão no direcionamento dos debates. A deputada federal Joênia Wapichana, primeira mulher indígena a advogar no Brasil, estará na mesa de abertura na quarta-feira (3), às 9h horas, no Centro Comunitário.

 

No mesmo dia, Ailton Kreneak, reconhecido por sua atuação na assembleia que originou a Constituição de 1988, e Ketty Marcelo López, presidente da Organização Nacional de Mulheres Indígenas Andinas e Amazônicas do Peru (Onamiap) e nativa da etnia ashaninka – oriunda da selva central daquele país –, ministram conferência às 19h30.

 

O momento de diálogo repete-se na quinta-feira (4), no mesmo horário. Desta vez, os convidados são Sônia Bone Guajajara, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), e Oscar Montero, assessor do Conselho de Direitos dos Povos Indígenas, Direitos Humanos e Paz da Organização Nacional Indígena da Colômbia (Onic). Ambas as conferências serão realizadas no Centro Comunitário Athos Bulcão.

 

Feira de troca de sementes crioulas, mostras, oficinas, minicursos, rodas de conversa, apresentações musicais e lançamentos de livros completam a programação e favorecem o intercâmbio cultural no ambiente acadêmico. Entre as atividades, o Cine Cipial exibe produções audiovisuais sobre temáticas indígenas e promove debates com lideranças indígenas na quarta (3) e quinta-feira (4), no anfiteatro 10 do ICC Sul. 

 

A coordenação da terceira edição do Cipial é do Mestrado em Sustentabilidade junto a Povos e Comunidades Tradicionais, pioneiro no Brasil na composição de turmas multiétnicas de pós-graduação. A articulação para o congresso contou com esforços de diferentes laboratórios, unidades acadêmicas e grupos de pesquisa, além da Associação de Acadêmicos Indígenas da UnB. As inscrições para participação como ouvinte podem ser realizadas pelo www.even3.com.br/3cipial ou presencialmente no primeiro dia do evento.

 

Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena também aconteceu na UnB em 2018. Arte: Divulgação

 

NAS ESCOLAS – Discutir os processos de formulação, implementação e avaliação da política nacional de educação para os povos indígenas e a tramitação de outras políticas públicas voltadas à temática são objetivos do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena.

 

Mais de 300 educadores e lideranças indígenas de cem etnias são esperados na atividade, que busca ainda dar visibilidade aos desafios enfrentados pelos indígenas na área da educação e traçar estratégias para garantir a formação escolar e docente desses povos, por meio da valorização da diversidade e combate ao preconceito.

 

>> Confira a programação

 

A UnB apoia o evento, promovido pela integração entre fóruns estaduais de educação escolar indígena, movimento de professores indígenas e entidades parceiras da educação indígena. Coordenadora da Questão Indígena (Coquei) da Diretoria da Diversidade (DIV/DAC), Cláudia Renault destaca o protagonismo da Universidade na discussão e efetivação do acesso de indígenas à educação superior, sendo instituição pioneira na criação de vestibular específico.

 

Atualmente, alunos de 35 etnias de diferentes regiões do país estão presentes na instituição e têm a oportunidade efetivar sua formação profissional e retornar os conhecimentos adquiridos para suas comunidades. “A Universidade é responsável pela formação de profissionais indígenas para assumir a educação escolar em suas comunidades e a gestão de suas próprias terras”, lembra Cláudia Renault.

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