GESTÃO

Em mensagem, Márcia Abrahão detalha ampla mobilização, ainda que não haja data para a retomada das atividades acadêmicas

Queridas(os) docentes, técnicos e estudantes,

Como vão? Espero que esta mensagem encontre todos bem e com saúde.

Sei que os dias estão sendo muito desafiadores. Com o passar do tempo e o avanço da pandemia, as notícias nos chegam cada vez mais tristes e desalentadoras. Muitas vezes nos sentimos impotentes, sem saber como será o futuro. Aproveito para me solidarizar com as pessoas que perderam familiares e amigos para a Covid-19. Desejo que possam encontrar conforto em meio à dor.

Escrevo para relatar os passos que temos dado rumo ao planejamento para a fase de recuperação da pandemia. Embora não saibamos quando essa fase vai começar, já iniciamos a estruturação das ações necessárias para a retomada das atividades acadêmicas, em um cenário no qual não há previsão de volta das atividades presenciais no curto prazo.

Os trabalhos de preparação estão sendo coordenados pelo vice-reitor, professor Enrique Huelva, que preside o Comitê de Coordenação de Acompanhamento das Ações de Recuperação (CCAR). O grupo está dividido em subcomitês, com diferentes atribuições administrativas e acadêmicas.

Todas as nossas ações vêm sendo compartilhadas e discutidas com a comunidade universitária. Realizamos reuniões de conselhos superiores e outras específicas com diretores de institutos e faculdades, nas quais debatemos os possíveis cenários para o retorno às atividades acadêmicas. Pedimos sempre que as apresentações e informações sejam repassadas para docentes, técnicos e estudantes, de modo a manter todos bem informados sobre o planejamento em elaboração pelo CCAR. Também estamos em contato com as entidades representativas dos segmentos.

Aúltima reunião ocorreu na manhã de segunda-feira, 1° de junho, com expressiva participação de diretores. Novamente, como já vínhamos observando nas últimas conversas com os gestores, há disponibilidade das unidades acadêmicas para a retomada das atividades, de forma não presencial.

Um raio X inicial feito pelo Decanato de Ensino de Graduação (DEG) demonstrou que 55% das disciplinas ofertadas no primeiro semestre deste ano poderiam ser realizadas por meio de exercícios domiciliares. É preciso, no entanto, garantir que todos possam cursá-las. Ninguém será deixado para trás.

Uma das principais preocupações da Administração Superior diz respeito ao acesso a recursos tecnológicos por parte dos membros da comunidade, principalmente estudantes. Para isso, a Universidade vai realizar, a partir desta semana, ampla pesquisa sobre as condições socioeconômicas e de saúde, bem como a familiaridade e a facilidade de uso da internet. O levantamento será feito pelo subcomitê de Pesquisa Social do CCAR, coordenado pelo diretor do Instituto de Ciência Política, professor Lúcio Rennó. Ele esteve presente na reunião de segunda-feira com os demais gestores e apresentou os três questionários que serão enviados a docentes, técnicos e estudantes. Também esta semana, o CCAR encaminhará proposta de retomada de atividades acadêmicas e administrativas em cinco etapas, para discussão nos institutos, faculdades e centros.

Em outra frente, fortalecemos o Centro de Educação a Distância (Cead), que ampliou a oferta de capacitação em Moodle Básico para docentes. Já há uma turma em andamento e um novo grupo deve iniciar o curso no próximo dia 9. Serão realizadas, neste primeiro momento, quatro edições da capacitação. A página do Cead disponibiliza diversas orientações e oportunidades para que os docentes se familiarizem com tecnologias aplicadas à aprendizagem.

Além dessas ações, tenho mantido contato com autoridades para viabilizar recursos que possam ser usados pelos nossos estudantes nesta fase. Já tive conversas com o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Leonardo Euler de Morais, e com o diretor da RNP, Nelson Simões da Silva. Também conversei com o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Wagner Vilas Boas. Para a UnB, o ideal seria uma solução de conectividade nacional, tendo em vista o fato de que uma parte dos nossos estudantes não mora no Distrito Federal. Seguirei atuando para a busca de soluções em curto prazo.

A preparação dos campi para a eventual retomada das atividades presenciais também nos mobiliza fortemente. Estamos em contato com especialistas do Comitê Gestor do Plano de Contingência em Saúde da Covid-19 da UnB (Coes) para o estabelecimento de condições mínimas de segurança. Para dar um exemplo, a Universidade possui nada menos que 1.046 banheiros, que estão passando por revisão e reparos.

Paralelamente, avançamos em outros assuntos. Destaco, aqui, que uma comissão do Conselho de Administração (CAD) definiu diretrizes para a implantação permanente do trabalho remoto na UnB. Enviamos consulta aos dirigentes das unidades, com prazo para respostas prorrogado para 15 de junho. Também na semana passada, o CAD permitiu que a tramitação de processos de flexibilização não fosse interrompida por falta da visita in loco durante o período de pandemia.

Ainda não sabemos como será a volta às atividades, mas, certamente, não voltaremos à vida que tínhamos antes do novo coronavírus. Precisaremos nos reinventar e, nesse processo, dar confiança e segurança a todos. De nossa parte, contem com todo o apoio e também com acolhimento, responsabilidade e união. Sigamos juntos, embora momentaneamente separados.

Um abraço saudoso,

 

Márcia Abrahão
Reitora da Universidade de Brasília

 

 

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