INOVAÇÃO

Comunidade pôde conhecer novo espaço e participar de workshop com multinacionais da área

Docentes da Faculdade UnB Gama e representantes de empresas parceiras em projetos da Universidade durante a inauguração do Automotive Research Center (ARC). Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB


Simular
a dinâmica de um veículo em testes de controle de estabilidade, freios, pneus, entre outras tecnologias para funcionamento de um automóvel e desenvolver inovações no campo automotivo. Estas são experiências que estudantes dos cursos de Engenharia poderão desfrutar com a estruturação do Automotive Research Center (ARC), novo laboratório multidisciplinar da Faculdade UnB Gama (FGA). O espaço foi inaugurado nesta quinta-feira (31) durante o workshop Automotive Day, com a presença da comunidade acadêmica.

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Além de conhecer as instalações e experimentar os simuladores automotivos disponíveis no centro de pesquisas, estudantes puderam aprender mais sobre a utilização destas tecnologias no mercado com representantes de multinacionais parceiras em projetos da UnB.

“O laboratório é muito importante para o desenvolvimento acadêmico e científico dos alunos. Aqui eles serão capazes de fazer uma série de pesquisas altamente aplicadas ao ambiente industrial e terão contato com ferramentas que são utilizadas não somente no Brasil, mas também no exterior”, destacou o professor André Murilo, coordenador do projeto ESC-SIM – que estabelece uma parceria entre a UnB e empresas do setor automobilístico para a realização de pesquisas, desenvolvimento e inovação.

A iniciativa deu origem ao laboratório e tem como foco o desenvolvimento de inovações na área de controle eletrônico de estabilidade dos veículos. A implementação também foi possível com recursos do Programa Rota 2030, que incentiva pesquisas na área automotiva e de empresas do ramo.

André ressaltou o impacto do laboratório, que já está em funcionamento desde o semestre passado, na formação de excelência dos estudantes. “Hoje estamos com equipamentos e estrutura que irão possibilitar a formação de engenheiros para o mercado de trabalho justamente alinhados com as necessidades e demandas das empresas”, apontou o docente.

Ele mencionou, ainda, a consolidação da FGA, em seus 15 anos de história, como campus com laboratórios de ponta.

A estudante de Engenharia Automotiva Lygia Paloma está desenvolvendo seu TCC sobre identificação de sistemas no laboratório. Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB


MONOGRAFIA EM CURSO – Lygia Paloma, estudante do 11º semestre de Engenharia Automotiva na Faculdade UnB Gama e integrante do ARC, comemorou a inauguração do espaço. “Aqui a gente consegue aplicar tudo que a gente vê em sala de aula de forma muito prática. A gente consegue ver realmente como as coisas são feitas na indústria e também desenvolve o que [normalmente] não é oferecido no ambiente acadêmico.”

As tecnologias disponíveis no ARC têm auxiliado a discente na elaboração de seu trabalho de conclusão de curso na área de identificação de sistemas. “Por meio da identificação de sistemas, eu consigo prever o comportamento que um carro teria em algumas manobras e extrair dados. Com o simulador, eu consigo fazer isso com o piloto dirigindo e tenho acesso a vários parâmetros do carro para poder desenvolver o modelo matemático dele e aplicar nas simulações”, detalhou.

SIMULAÇÃO NA PRÁTICA – A quinta-feira (31) na FGA também foi marcada por muito aprendizado e troca de experiências. Durante o workshop Automotive Day, estudantes puderam aprofundar em conhecimentos sobre o setor automotivo a partir de projetos desenvolvidos junto à indústria do segmento. O evento contou com atividades ao longo do dia, com destaque para palestra sobre o potencial dos simuladores na inovação da indústria automotiva.

A oportunidade foi também de compreender a aplicabilidade do novo laboratório inaugurado na FGA no futuro profissional dos discentes. Representantes das multinacionais Stellantis, Pirelli e Continental e da empresa brasileira de engenharia Multittech compartilharam experiências do uso da simulação na avaliação de veículos.

Responsável pela equipe de simulação de dinâmica de veículos da Stellantis na América do Sul, Rudinixon Bittencourt abordou o processo de implementação do Centro de Excelência em Simulação de Dinâmica e Segurança Ativa Veicular (SimCenter) na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Inaugurado em 2017, o centro foi o primeiro da categoria no hemisfério sul e o primeiro no mundo instalado em uma universidade.

WorkshopAutomotive Day proporcionou aos estudantes de Engenharia Automotiva momento de interação com atores do segmento. Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB


Envolvido na idealização do projeto, Rudinixon lembra que a ideia era que o centro, inserido no programa de incentivo à inovação tecnológica Inovar-Auto, do governo federal, tivesse forte interação com a universidade, sonho que, segundo ele, concretizou-se.

“A gente pensou: ‘o que tem que ser o SimCenter para atender os requisitos do Inovar-Auto?’ Ele tem que fornecer pesquisa, então tem que estar dentro da universidade; ele tem que ter um retorno para a indústria; e o governo à época queria que as pesquisas que a universidade desenvolvesse tivessem ligação com a linha de pesquisa com a qual a gente desenvolveu o simulador, principalmente na parte de segurança rodoviária”, recordou.

Até agora, 24 projetos foram conduzidos no SimCenter – cinco em parceria com universidades – e mais de 120 mil km de testes foram realizados no simulador disponível no centro. A tecnologia permite à Stellantis conceber modelos mais apurados dos automóveis, que são testados pelos pilotos em simuladores, após os experimentos físicos com um veículo de referência, para comparação e ajustes posteriores.

“Primeiro, o piloto vai andar nessa referência, calibrar o simulador para que ele sinta se realmente o carro parece com a referência e se tem todos os parâmetros que ele viu na pista, e vai comparar com a saída no nosso modelo virtual”, explicou Rudinixon.



Reconhecida por desenvolver produtos e processos produtivos de vanguarda tecnológica e investimentos contínuos em pesquisa, a Pirelli é parceira da Stellantis no SimCenter, desenvolvendo modelos de pneus e metodologias de análise. Por meio do engenheiro Renan Ozelo, a Pirelli demonstrou satisfação com os resultados da sinergia empresa-universidade, que acelera e amplifica a inovação.

"A virtualização aplicada ao desenvolvimento de pneus é uma das apostas da Pirelli como um diferencial. Nos últimos anos, a empresa inaugurou o seu primeiro simulador de direção, em sua matriz em Milão, na Itália, que reduz o tempo de desenvolvimento e a necessidade de utilização do número de protótipos físicos. E nossos investimentos na América Latina têm permitido que conheçamos o potencial do Brasil no desenvolvimento de pesquisa e inovação de qualidade", aponta Ozelo.

DIFERENCIAL NA INDÚSTRIA –
Já a Continental, empresa do ramo de sistemas, trabalha com simulação em testes de controle de eletrônico de estabilidade dos veículos desde 2005 e atende as principais montadoras do mundo.

Fabrício Menezes, líder de pesquisa e desenvolvimento em dinâmica de veículos da multinacional, frisou a importância da simulação para agilizar e facilitar a análise da interferência da troca de componentes na dinâmica de um carro.

“Cada vez que vamos responder essa pergunta, precisamos do carro com todo o sistema atualizado, instrumentalizado, com a pista de teste, o engenheiro de teste e o software de teste. A partir daí, fazemos uma análise para entender que impacto aquele componente ou aquele sistema novo está trazendo. Então, a parte de simulação é muito importante para a gente cortar esses caminhos”, enfatizou.

Segundo o engenheiro automotivo, a Continental passou a contar com uma equipe estruturada para lidar com a questão em 2014. Ele avalia que é importante que o processo seja cada vez mais automatizado, o que reduz o esforço logístico dos testes físicos.

“Começamos a avançar na parte de parametrização e validar o que era necessário para garantir a performance. Recentemente, conseguimos chegar no nosso objetivo, que é justamente conseguir fazer parâmetros iniciais só com o modelo virtual, e quando vamos no veículo, conseguimos só validar o que já foi feito virtualmente”, comentou Fabrício.

 

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