CIÊNCIA

Grupo deve chegar à ilha Deception nesta sexta-feira (8). Equipe está no continente há 15 dias

 

Professores Paulo Câmara (UnB) e Luiz Henrique Rosa (UFMG) dialogam durante coleta de gramíneas na Antártica. Foto: Marcelo Jatobá/Secom UnB

 

Conhecida por seus imponentes icebergs e pelas temperaturas mais baixas do planeta, a Antártica também surpreende com suas zonas vulcânicas em atividade. É o caso da ilha Deception, onde cerca de 30 pesquisadores brasileiros devem desembarcar nesta sexta-feira (8) para realizar coletas e experimentos científicos.

"Por ser uma região vulcânica ativa, as condições em Deception são muito específicas. Ali conseguimos encontrar plantas que não ocorrem em outros locais da Antártica”, enfatiza o docente do Instituto de Ciências Biológicas (IB) da UnB Paulo Câmara, integrante da comitiva de pesquisadores da 36ª Operação Antártica (Operantar), que desde o dia 21 de novembro está no continente gelado.

Outras quatro ilhas do arquipélago Shetland do Sul estão previstas na rota da expedição, mas a realização do trajeto depende das condições climáticas. Além de coletar amostras de plantas, Câmara fará o monitoramento da vegetação local, em parceria com o projeto MycoAntar, coordenado pelo professor Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O objetivo do experimento é investigar a proliferação de anéis de coloração amarelada, denominados halos, que têm ocorrido sobre os musgos antárticos.

Pesquisadores demarcam área para investigar incidência de fungos em musgos antárticos. Foto: Marcelo Jatobá/Secom UnB

 

“Estudos preliminares sugerem que estes halos podem ocasionar doenças nas plantas. Suspeita-se que estes anéis sejam constituídos de fungos. Nosso objetivo é verificar essas hipóteses e monitorar se haverá progressão dos halos”, explica Luiz Rosa, que é especialista em microbiologia. De acordo com os cientistas, investigações desse cunho se relacionam, por exemplo, com interesses agrícolas, já que os fungos estão entre os grandes vilões das lavouras. 

Para realizar o estudo, os cientistas demarcam uma área de análise e a sobrevoam com uso de drones, obtendo diversas fotografias do terreno. O objetivo é retornar aos mesmos locais nos anos seguintes para dar continuidade à investigação. Esse experimento está sendo executado nas demais regiões visitadas pelos cientistas.

Apesar da atividade vulcânica em Deception, o geólogo e geofísico marinho Arthur Ayres Neto, da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que os cientistas estão resguardados. "A região é monitorada por sismógrafos e, como o vulcão não entra em atividade de uma hora para outra, pode-se trabalhar com segurança no local", informa o pesquisador e docente.

Estação Antártica Comandante Ferraz ao anoitecer. Foto: Marcelo Jatobá/Secom UnB

 

DIÁRIO DE BORDO Por duas semanas, os pesquisadores brasileiros estiveram alojados na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF). No período, foram realizadas coletas e experimentos em várias regiões próximas à base brasileira, como Punta Hannequim, Punta Ulmann e base polonesa Arctowski. 

O deslocamento para esses locais é feito por meio de botes, tripulados por militares da Marinha do Brasil, que ficam em missão na Antártica pelo período de um ano, quando acontece a troca por um novo grupo. Confira abaixo o registro em vídeo de alguns destes momentos:

>> Veja imagens do deslocamento dos pesquisadores, feito por botes

>> Assista também a trecho da caminhada da equipe pelos picos nevados

Após chegar à base brasileira em um dia ensolarado e com temperaturas positivas, o grupo enfrentou também condições adversas. Por três dias, os pesquisadores ficaram impossibilitados de sair do interior da EACF. Isso porque o trânsito nas áreas mais próximas da estação – que incluem os Laboratórios de Química e Multiuso – só é permitido com ventos inferiores a 75 km/h e visibilidade superior a 50 metros.

Em média, os cientistas experimentaram temperaturas entre cinco graus negativos e sete positivos e uma sensação térmica de -10° C. Entretanto, o que torna delicada a permanência na região são as rajadas de ventos, cujo ápice ultrapassou os 120 km/h.

Nesta quinta-feira (7), com a chegada do Navio Polar Almirante Maximiano, o grupo segue com a pesquisa em outras ilhas do arquipélago Shetlands do Sul, entre elas Deception, Livingston e Nelson. O retorno da comitiva ao Brasil está previsto para 21 de dezembro.

Pesquisadores brasileiros da terceira fase da 36ª Operação Antártica (Operantar). Foto: Marcelo Jatobá/Secom UnB

 

OPERANTAR Ao todo, 55 pesquisadores participam da fase 3 da Operação Antártica, que acontecem entre novembro e dezembro de 2017, representando as seguintes instituições: Universidade de Brasília (UnB); Universidade Federal Fluminense (UFF); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Universidade Federal de Viçosa (UFV); Universidade de São Paulo (USP); e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Os cientistas ficam distribuídos entre o navio Maximiano, o navio de apoio oceanográfico Ary Rongel e os acampamentos antárticos montados pelo programa para apoiar a pesquisa no continente. A Operação Antártica acontece anualmente entre os meses de outubro e março, durante o verão polar.

Paulo Câmara e outros pesquisadores da UnB retornarão ao continente antártico nas próximas fases da 36ª Operantar, entre janeiro e março de 2018, para dar continuidade às pesquisas da Universidade na região polar.

 

 

>> Acesse o álbum de fotos da expedição à Antártica no Flickr da UnB

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