EM DEFESA DA EQUIDADE

No evento on-line, professoras da UnB, do IFB e da SEEDF abordaram a disparidade de gênero existente no ambiente acadêmico

Evento foi palco de reflexões sobre a valorização da mulher na ciência e os desafios delas como cientistas. Imagem: Reprodução

 

Diversidade foi tema central da mesa-redonda que deu início ao 2º Seminário Mulheres na Ciência nesta segunda-feira (8), Dia Internacional da Mulher. O evento on-line incentiva reflexões sobre a participação das mulheres na produção científica e faz parte da programação conjunta da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Federal de Brasília (IFB) para o Mês da Mulher. A transmissão ao vivo ocorreu pelo canaldo Programa de Pós-Graduação em Matemática (PPGMAT) da UnB no YouTube.

 

>> Saiba mais sobre a programação completa do Mês da Mulher

 

Professoras da UnB, do IFB e da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF) discutiram o direito à produção do conhecimento e as disparidades de gênero, raça e classe social na sociedade e na ciência. Márcia Abrahão, reitora da UnB; Renata Vianna, superintendente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF); e Susanne Maciel, representante do comitê organizador e científico do evento e professora da Faculdade UnB Planaltina (FUP) estiveram na abertura da atividade.

 

O marco do Dia Internacional da Mulher foi destacado pelas convidadas, que reforçaram a importância da data para projetar a luta pela equidade de gênero em todos os espaços. "É uma luta pelo direito a uma vida sem violência, a trabalhos dignos, a salários dignos, entre tantos direitos inerentes a qualquer ser humano”, salientou Susanne Maciel.

 

Ela também lembrou que as mulheres sempre estiveram atuantes na ciência, só não são reconhecidas. “Nós temos sido cortadas da história da ciência ao longo dos anos, e isso traz várias consequências não só para as mulheres, mas também para o mundo”, declarou.

 

A reitora Márcia Abrahão frisou que a disparidade de gênero na ciência foi acentuada com a pandemia do novo coronavírus. A gestora citou um estudo que aponta que as mulheres tiveram 22% menos tempo para se dedicar à pesquisa durante a crise sanitária. Isso acontece porque elas acabam tendo que acumular tarefas, como trabalho, estudo, afazeres domésticos e cuidados dos filhos.


ULTRAPASSAR OS LIMITES – As lutas para conquistar espaço em um nicho que, historicamente, não costuma ter portas abertas para elas foram salientadas nos discursos das docentes que participaram da mesa-redonda.

 

Primeira de sua família a conquistar o diploma de curso superior, a professora da SEEDF Rosilene Costa defendeu a promoção da diversidade nos diferentes espaços sociais. “O gênero, a classe, a raça, a orientação sexual, a religião, não podem ditar os espaços que podemos ou não ocupar”, afirmou.

 

A discriminação de mulheres no meio científico foi questão abordada pela docente que, como mulher negra e periférica, sentiu isso com mais intensidade. “A academia parece não ter sido projetada para a mulher”, disse.

 

Para além do entraves relacionados a gênero, a professora da FUP Tânia Cruz destacou a questão racial como marcador que impacta a atuação das mulheres no campo científico. Ela relatou que as mulheres negras costumam ter uma trajetória na ciência solitária e cheia de desafios. Em contraposição a esses estigmas, a docente expressou que “mulheres que fazem ciência não aceitam limites”.

Reitora Márcia Abrahão participou da abertura e salientou que a disparidade de gênero foi acentuada durante a pandemia. Imagem: Reprodução

 

DESIGUALDADE NATURALIZADA – Tânia Cruz e outras docentes também criticaram o pressuposto de que mulheres têm que escolher entre se dedicar às suas famílias ou à carreira na ciência. A professora da FUP, que também é mãe, relatou, inclusive, que foi questionada por colegas, durante sua gravidez, se estava trocando a ciência pela maternidade. Situação semelhante também é vivida por Rosilene Costa. Ela compartilhou que por ser mãe, tem sua competência questionada no trabalho.

 

Na perspectiva da professora do Departamento de História da UnB Lea Carrer, a disparidade de gênero é questão naturalizada na sociedade. Ela defende ser de suma importância que haja a desconstrução desse processo desde a educação básica.

 

Muitas das mulheres que acompanhavam a transmissão se emocionaram com as exposições e, no chat no canal do PPGMAT no YouTube, relataram ter se identificado com as declarações das participantes. Ao final do evento, foi aberto espaço para perguntas e respostas, em que se falou acerca dos efeitos da reforma do ensino médio na promoção de um ambiente escolar diverso e como mobilizar os estudantes, desde a infância, a produzir conhecimento.

 

MÊS DA REFLEXÃO – 2º Seminário Mulheres na Ciência segue com atividades até o dia 29 de março, todas realizadas remotamente e transmitidas pelo canaldo PPGMAT no YouTube. Além do seminário, a programação da UnB e do IFB em março dedicada às mulheres prevê, até o dia 31 deste mês, diversas atividades educacionais e pedagógicas para promover reflexões sobre as lutas e o protagonismo feminino.

 

Decana de Gestão de Pessoas da Universidade, Maria do Socorro Gomes destaca como a participação de técnicos e docentes na programação especial é bem-vinda. "A pauta dos direitos das mulheres é de interesse de todos nós, mulheres e homens da UnB. Envolver nossas servidoras no debate sobre como alcançar maior equidade e melhores condições de trabalho é fundamental", defende.

 

O decano de Ensino de Graduação, Diêgo Madureira, recomenda a participação de estudantes. "Temos uma comunidade acadêmica majoritariamente formada por mulheres estudantes na graduação. Então, essas atividades são de grande importância para fomentar o necessário debate sobre a igualdade de gênero e outros temas sensíveis para a nossa comunidade", afirma.

 

Confira a abertura do 2º Seminário Mulheres na Ciência:

 

* estagiária de Jornalismo na Secom/UnB

 

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